"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética.
O que mais preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King)
"Para que o mal triunfe, só é necessário que os bons nada façam." (Edmund Burke)
"Há um limite em que a tolerância deixa de ser uma virtude."
(Edmund Burke)
Polícia estoura laboratório clandestino de cocaína dentro da Favela da Rocinha
Francisco Edson Alves
Rio - A Polícia Civil estourou ontem uma refinaria de cocaína na
Favela da Rocinha durante operação que durou sete horas e envolveu 210
homens de nove delegacias especializadas. Do laboratório, que
funcionava no segundo andar de uma casa na Travessa dos Corajosos,
na
localidade conhecida como Cachopa, na parte alta da comunidade, saía,
por mês, pelo menos meia tonelada da droga misturada com
outras
substâncias, avaliou o titular da Delegacia de Repressão a
Armas e
Explosivos (Drae), delegado Carlos Oliveira. Processando
cerca de 125
quilos de pasta de cocaína, vindos da Bolívia e da
Colômbia, os
traficantes obtinham lucro aproximado de R$ 5,5
milhões a cada 30 dias.
"É a maior refinaria já descoberta no Rio. Sem dúvida, os criminosos
sofreram um duro golpe", afi rmou Oliveira. Em junho, O DIA noticiou
a
existência de um laboratório para misturar cocaína na Rocinha. Na
edição de terça-feira do jornal, reportagem da série ‘Da Folha ao Pó’
revelou que a Rocinha é a favela preferida de traficantes bolivianos.
Tanto que chegou a receber o apelido de ‘caixa-forte’, por causa das
grandes encomendas e dos pagamentos sempre à vista.
A droga refinada na Rocinha era distribuída para 13 favelas
controladas pela facção Amigos dos Amigos (ADA), principalmente o
Complexo da Maré e os morros dos Macacos (Vila Isabel) e de São Carlos
(Estácio), além da própria Rocinha. Leonardo Assunção, 28 anos,
apresentado pela polícia como um dos químicos do laboratório, foi
preso. Leonardo, que teria sido ‘contratado’ há seis meses por Antônio
Francisco Bonfim Lopes, o Nem, chefão do tráfico na favela, foi detido
pouco depois do início da operação, às 9h, e levou os policiais até a
refinaria. Ele seria braço-direito de Parazinho, bandido que controla as
bocas-de-fumo na Rua do Valão, as mais rentáveis da favela.
No laboratório, montado em um cômodo de menos de um cômodo de menos
de quatro metros quadrados, havia cerca de cinco quilos de cocaína,
balanças de precisão, holofotes para secar a droga,
ventiladores,
bacias, baldes, tubos de ensaio, dosadores, triturador industrial,
prensa, grande quantidade de material para embalar
drogas, dezenas de
caixas com fermento, bicarbonato de sódio, éter e outros produtos
usados para aumentar a quantidade de pó.
Em outro ponto da favela, numa casa vazia no final da Rua do
Valão,
foram apreendidos 50 quilos de maconha em tabletes e 60 cápsulas
para
fuzil. Durante a operação, policiais recuperaram ainda quatro
motocicletas e quatro automóveis roubados.
No início da incursão, o Túnel Zuzu Angel chegou a ser fechado por
cinco minutos pela polícia para evitar balas perdidas. Os criminosos,
no entanto, não atiraram, apenas soltaram fogos. No fim da ação, à
tarde, porém, houve intensa troca de tiros entre agentes da
Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e traficantes. Os policiais,
com apoio do helicóptero Águia, foram checar esconderijo improvisado
com tapume num local conhecido como Roupa Suja, sobre o Túnel
Zuzu
Angel, quando os bandidos atiraram. Ninguém se feriu. Além de Leonardo,
mais dois homens foram detidos.
Lucro do bando triplicou
Quem idealizou a instalação da refinaria na Rocinha foi Saulo de Sá
Silva, depois de fugir da Polinter, em dezembro de 2005.
Ex-funcionário
dos Correios, ele chegou a ser preso naquele ano,
acusado de abastecer
a Rocinha com carregamentos de maconha, mas ficou apenas cinco meses
atrás das grades. E foi nesse período na carceragem do Grajaú que o
bandido estabeleceu novos contatos, dessa vez com fornecedores ligados
às plantações de cocaína, principalmente
na Bolívia.
De São Paulo, Robinho Pinga - apelido roubado de outro bandido e
adotado para confundir a polícia - trouxe um químico, que passou a
fazer a mistura da pasta-base que ele trazia para a favela. O
laboratório foi montado e os lucros do bando triplicaram. Com
autorização de Nem, Saulo passou a negociar drogas até com favelas
dominadas pelo Comando Vermelho (CV).
Sua principal conexão com a quadrilha rival estava no Morro do Turano. Isso porque seu irmão, Cristiano de Sá Silva, o Abelha, mesmo preso em Bangu 3, continua como abastecedor das bocas-defumo do Rio Comprido. Desde maio, O DIA revela os passos de Saulo, que mantinha até uma casa com hidromassagem na Rocinha.
Há cerca de um mês, ele, a mulher e dois filhos foram embora da
favela, temendo o cerco da polícia. O bandido assumiu a condição de
‘matuto’ (fornecedor) e, de longe, continuou abastecendo a quadrilha.
Além dele, a polícia procura mais dois homens responsáveis pelos
produtos químicos utilizados para misturar à paste-base no
laboratório.
Um deles é um jovem de classe média, morador da Barra
da Tijuca.
Acesso restrito
O laboratório da Rocinha, construído por Saulo, funcionava em um
imóvel localizado em meio a um emaranhado de casas numa ladeira
de
difícil acesso. Ontem, antes da operação, 70 quilos de cocaína teriam
saído da refinaria. Dentro da própria quadrilha, poucos podiam entrar
no
local.
A residência, de quatro cômodos pequenos, tinha janelas vedadas
com
blecaute e fitas adesivas, para evitar que o cheiro de produtos químicos
se espalhasse. As instalações elétricas eram improvisadas. O dono do
imóvel, que não teve o nome revelado e mora com a família no primeiro
andar, alegou não saber que sua casa era usada por
traficantes. Na
vizinhança, costumava imperar o silêncio, mas
olheiros sempre alertavam
os bandidos com fogos sobre a aproximação
da polícia.
A casa também apresentava marcas de um incêndio recente, que deixou
dois homens que trabalhavam dentro do laboratório feridos
com
gravidade. Um deles ainda estaria internado com queimaduras nos braços
e nas pernas. A polícia investiga ainda a existência de outro
laboratório construído por Saulo para misturar a pasta-base de
cocaína,
numa casa fora da Rocinha.
Comentário do Armando Anache: Veja, abaixo, a manchete do
jornal "Diário da Serra", edição de sexta-feira, 23 de agosto de 1991, quando, numa série de reportagens que fiz na fronteira do Brasil com a Bolívia, para a rádio Clube de Corumbá, descobri várias refinarias de cocaína que funcionavam numa área bem próxima do Centro urbano, na saída para Campo Grande, MS, 424 quilômetros a oeste, pela BR-262.
Naquela época, a notícia foi destaque no "Jornal Nacional", da rede Globo de televisão, em reportagem especial do colega Tonico Ferreira, que veio com a sua equipe de São Paulo para a fronteira do Brasil com a Bolívia.

São Paulo, domingo, 26 de agosto de 2007

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| Corrupção faz Brasil virar paraíso de megatraficantes
Lavagem de dinheiro e suborno de policiais são facilitados, dizem especialistas
DA REPORTAGEM LOCAL O Brasil tornou-se um dos destinos prediletos de megatraficantes de cocaína. A principal evidência da mudança são as prisões dos colombianos Juan Carlos Ramírez Abadía e Gustavo Durán Bautista num período de 11 dias -o primeiro no último dia 7, o outro, no dia 18. Se esticar o prazo para o ano passado, pode acrescentar mais um traficante de porte internacional na conta: o também colombiano Pablo Rayo Montano, preso em maio de 2006 pela PF em São Paulo. A lista pode aumentar. A PF e policiais dos Estados Unidos têm indicações de que companheiros de cartel de Abadía podem estar no Brasil. Um dos suspeitos integra o grupo dos cinco traficantes mais procurados pelos EUA. Não há uma única razão para explicar por que os traficantes preferem o Brasil. Mas há um motivo que atravessa todas essas razões: a corrupção. O motivo é apontado por especialistas da Polícia Federal, por juízes federais e procuradores. Segundo eles, é a corrupção que facilita a lavagem de dinheiro em grande escala, o suborno de policiais, a cooptação de laranjas e a compra de bens com dinheiro vivo. As prisões de Abadía, apontado pelos EUA como o maior traficante em atividade do mundo, e Durán Bautista são uma espécie de resumo da ópera das facilidades que o país oferece a traficantes. Abadía comprou uma mansão na Grande São Paulo, casas de praia em Jurerê Internacional, em Florianópolis, e em Angra dos Reis, no sul do Rio de Janeiro, um sítio em Minas Gerais e uma lancha de R$ 2 milhões sempre com dinheiro vivo. Só com imóveis, o traficante teria gasto cerca de R$ 8 milhões, segundo depoimentos de laranjas do traficante. Não eram laranjas quaisquer os de Abadía. Um deles tinha uma loja de jet-ski em São Paulo. O outro era piloto e tinha quatro empresas que o traficante usava para movimentar o dinheiro sujo no país. País das facilidades "É muito fácil lavar dinheiro no Brasil. O controle é muito precário", diz o delegado da PF Luiz Roberto Ungaretti Godoy, que trabalha na Delegacia de Repressão a Entorpecentes e ajudou a investigar Durán Batista até sua prisão no Uruguai. O Brasil, na opinião do delegado, é mais atraente para traficantes do que países supostamente mais seguros, como a Venezuela, que não tem escritório do DEA (Drug Enforcement Administration, a agência antidrogas dos EUA) por causa do anti-americanismo do presidente Hugo Chávez. Abadía estava na Venezuela antes de vir para o Brasil há quatro anos. Aparentemente, saiu de lá porque temia ataques de seus inimigos colombianos, vizinhos de fronteira. Lá também não há a diversidade de negócios que existe no Brasil. |
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Santa Barbara: Uma TV contra as drogas
A KEYT 3 (TV Chave), afiliada a Rede ABC em Santa Barbara, na Califórnia, usa a sua programação local para atuar na prevenção ao uso e abuso de drogas.
Em 14 de junho de 1994 - dentro do "Fifteenth News and Current Affairs Workshop on Drugs", promovido pela USIS (United States Information Agency), do governo dos Estados Unidos - eu visitei, juntamente com os demais colegas jornalistas de todo o o mundo, a sede da TV.
Arquivo pessoal Armando Anache

Equipe da KEYT 3 - em pé, de gravata, o jornalista que faz
programas de prevenção ao uso e abuso de drogas - e operador de
áudio (com fones de ouvido) da Voice Of America (Rádio Voz da
América), gravando as palestras
A KEYT 3 fazia, há dois anos, duas vezes por semana, a apresentação do programa "Fightinback" - ou "Defenda-se", em português -, em conjunto com as autoridades municipais e os integrantes da comunidade local.
O colega jornalista e apresentador do programa explicou que a veiculação no ar é feita no último segmento do noticiário que apresenta. O formato adotado é o de informes com a divulgação de fontes e de outros programas que fazem prevenção às drogas, para que os telespectadores saibam onde buscar informações precisas sobre o tema.
Arquivo pessoal Armando Anache

Na sede da KEYT 3, em Santa Barbara, poso ao lado da sua diretora
e do colega jornalista e apresentador dos programas da série
"Fightinback", que abordam problemas relacionados às drogas
A diretora da KEYT 3 disse que "todos nós temos o dever de tornar muito melhor as vidas dos nossos telespectadores e, por isso, levamos ao ar informações sobre os problemas causados pelas drogas, sejam lícitas ou ilícitas."
Os jornalistas presentes, vindos de mais de 30 países de todo o mundo, perguntaram se, com esse tipo de programa voltado à prevenção ao uso e abuso de drogas, a KEYT 3 não recebia ameaças. A resposta foi enfática: "Prefiro aceitar as conseqüências por fazer esse tipo de campanha, inclusive a possibilidade de ter cortada a publicidade do álcool nos canais de televisçao da América, do que parar com ela."
Arquivo pessoal Armando Anache

Jornalistas de todo o mundo visitam a sede da KEYT 3; eu estou
à direita (agachado e com bigode) e, à esquerda, em pé, o grande
amigo que fiz durante o "Fifteenth News and Current Affairs
Workshop on Drugs", o colega do jornal "Clarín", da Argentina,
Enrique Sdrech; ao fundo, visto da colina onde fica a TV, o Oceano
Pacífico
Naquele momento, lembrei-me da campanha contra as drogas, que iniciei em 10 de abril de 1990, com uma pauta que fiz depois de receber uma carta de um aposentado do SNBB (Serviço de Navegação da Bacia do Prata), em Corumbá, na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia. A KEYT 3 havia iniciado há dois anos - portanto em 1992 - a veiculação, duas vezes por semana, dos programas de prevenção às drogas. Eu começara dois anos antes. Gostei muito de ver e sentir as reações dos colegas jornalistas da KEY T 3. Ali, na Califórnia, o trabalho que desenvolviam em conjunto com o "Fightinback" era aplaudido e valorizado.
Conversei muito com o repórter que apresentava os noticiários e os programas de prevenção ao uso e abuso de drogas e também com a diretora da emissora de TV afiliada à Rede ABC.
Ouvi deles que as ameaças também acontecem. No entanto, como dito acima, eles preferem "aceitar as conseqüências do que parar com a campanha [contra as drogas]."
Armando Anache

Instalações da KEYT 3, afiliada da rede ABC, em Santa Barbara,
Califórnia
Fiquei ainda mais entusiasmado e pensei comigo mesmo: "Quando voltar ao Brasil e à fronteira, continuarei no trabalho diário, nos meus programas de rádio, denunciando os pontos de venda de drogas que são fornecidos pela população e levando ao ar informações precisas dos manuais e dos especialistas, sobre a prevenção ao uso e abuso de drogas; coisas que já realizo atualmente."
Eu só não poderia prever que, retornando ao Brasil, enfrentaria uma campanha contra mim e as pessoas da comunidade, que me ajudavam com informações sobre o narcotráfico na fronteira, orientada e financiada por algumas pessoas poderosas. Algumas delas, inclusive, exercendo mandatos políticos depois de eleitas pelo povo.
Esse é o Brasil. Viva o Brasil! Ou, como já dizia um antigo político do Mato Grosso uno: "Você só é brilhante enquanto não fizer sombra aos outros." Eu não possuía mandato eletivo. Tinha apenas a vontade de ajudar a comunidade, a máquina de escrever [naquela época não haviam computadores na redação] e o microfone. Mas, certamente, já começava a "fazer sombra aos outros."
Sem querer, eu me tornara um perigo que precisava ser eliminado. O leitor pode ler aqui embaixo, rolando esta página, a repercussão que a campanha contra as drogas, na fronteira do Brasil com a Bolívia, teve na imprensa.
Comentário do blog: É claro que jornalista não é notícia. Muito menos delegado, promotor, advogado ou juiz. No entanto, tomo a liberdade - consagrada em todos os blogs existentes no mundo - de publicar, nesta página, fotos nas quais apareço ao lado de colegas, instrutores, autoridades e policiais do DARE (Drug Abuse Resistance Education). Num jornal ou revista, por exemplo, isso jamais aconteceria. No blog, no entanto, essas fotos e o tratamento na primeira pessoa do singular - "eu visitei", "eu estava lá" etc. - são permitidos, ok? Obrigado pela atenção.
Postado em 27 de agosto de 2006, domingo
Tratamento de usuários de álcool e drogas:
Hospital de Santa Barbara atua junto com o
"Fighting Back" desde 1992
O "Santa Barbara Cottage Hospital", na Califórnia, nos Estados Unidos, integrante do Sistema Cottage de Saúde, atua no tratamento de dependentes químicos. Para isso, recebe [em valores de 1994] 150 milhões de dólares por ano e, para a prevenção, são cinco milhões de dólares por ano.
Quando conheci o trabalho realizado pelo hospital, em 14 de junho de 1994, fui informado de que 100 mil pessoas, das 180 mil que vivem naquela região da Califórnia, passam por ali para tratamento.
No fim de 1992, o hospital criou um programa em conjunto com o "Fighting Back" [leia reportagem que postei aqui,sobre o "Fighting Back", rolando a página para o alto], para tratar exclusivamente de pessoas com problemas relacionados ao uso e abuso de drogas.
Esse trabalho em conjunto foi iniciado na sala de emergência, onde a direção do hospital começou a identificar os tipos de casos atendidos no dia-a-dia. Assim, a equipe interna determinou que tipo de atendimento necessitavam as pessoas que procuravam o hospital. Foi criado, também, um serviço de atendimento psiquiátrico, pois muitos usuários de drogas precisam desse tipo de socorro.
Armando Anache

Hospital de Santa Barbara, na Califórnia: Desde 1992 atua,
num programa conjunto com o "Fighting Back", no
tratamento de pessoas que abusam das drogas
Na sala de emergência, fui recepcionado - juntamente com os colegas jornalistas do mundo todo, que participavam do "Fifteenth News and Current Affairs Workshop on Drugs" - pelo doutor Lambard. Ele informou que a equipe de atendimento aos dependentes químicos tem seis médicos trabalhando em tempo integral e outros seis em tempo médio. "São 25 mil pacientes anualmente e a maior incidência de pessoas atendidas em razão de problemas causados por drogas - como acidentes, ferimentos e outros - ocorre aos sábados e domingos", informa o médico.
O doutor Lambard explicou que "nós, médicos, não tinhamos como tratar desses casos relacionados com o uso e abuso de drogas; muitos de nós não tinham capacidade para reconhecer, na emergência, esse tipo de problema específico com drogas; por isso pedimos ajuda, por meio de contato com o programa "Fighting Back" ["Defenda-se", em português].
Ele lembra que, "na sala de emergência, nós não podíamos, em cinco minutos ou cinco dias, resolver os problemas causados pelas drogas aos pacientes; era preciso atuar na prevenção, aumentando a conscientização do público." O doutor Lambard fez questão de destacar ao grupo de jornalistas que "sem conscientização não é possível tentar resolver o problema causado pelas drogas."
Hoje [junho de 1994] a equipe do doutor Lambard atua 24 horas por dia, enquanto que, no início do programa de atendimento às pessoas que abusavam de drogas, o trabalho era feito apenas nos fins de semana.

Entrada do setor de emergência do "Santa Barbara Cottage
Hospital": Aqui começa o trabalho das equipes médicas que
atendem as pessoas que usam e abusam de drogas
No setor de psiquiatria, o hospital contratou um profissional para atuar na identificação dos pacientes que têm problemas causados pelas drogas, sejam elas legais ou ilegais. Ele atua diretamente nas relações com as famílias que têm dependentes de álcool e outras drogas.
O responsável pelo setor de psiquiatria do hospital de Santa Barbara informou que, às vezes, havia uma "falta de paciência" dos profissionais que trabalhavam ali, em relação aos pacientes que apresentavam problemas causados pelo álcool e outras drogas.
Para superar essa questão, foi feito um trabalho interno no hospital. Nele, os pacientes eram identificados e, a partir dali, os profissionais de medicina do hospital passavam a atuar nas suas casas, juntamente com outras entidades que tratavam da prevenção ao uso e abuso de drogas. No hospital, as equipes internas fazem o tratamento dos pacientes.
No serviço psiquiátrico, o ponto de apoio para o início do trabalho com os dependentes químicos e de álcool é a sala de emergência. O hospital tem um serviço psiquiátrico de emergência que funciona 24 horas por dia. Nele, numa amostra de 750 pacientes selecionados, 75% eram de casos relacionados com drogas e apenas 25% tinham ligação com problemas psiquiátricos.
O Hospital de Santa Barbara tem 600 leitos disponíveis e, com a rápida identificação dos problemas de cada paciente, torna-se possível o início de uma reabilitação rápida. Em Santa Barbara [dados de junho de 1994], cerca de 15% da população sem-teto tem problemas psiquiátricos.
Um dos médicos psiquiatras explicou que "se alguém chega à emergência, em estado de grande euforia devido a ingestão de drogas, nós não chamamos a polícia, pois o drogado tem direito a privacidade durante o seu tratamento; a única exceção é se houver um mandado judicial."

Jornalistas de vários países da América Latina, Europa e
Ásia - eu estou no centro, com bigode -, posam para foto em
frente ao hospital de Santa Barbara, na Califórnia
A acupuntura também é usada no tratamento de desintoxicação de usuários de drogas no hospital. "As pessoas dependentes de álcool, cocaína e opiácios, que recebem esse tipo de tratamento, sofrem menos em relação aos tratamentos tradicionais", informou um médico da equipe.
Atualização em 14 Ago 2006, 21h03, com publicação de mais quatro reportagens sobre a campanha contra as drogas, iniciada em 10 de abril de 1990. Role a página e veja aqui embaixo.
Acesse o site da "Associação Parceria Contra Drogas"
Cães farejadores de drogas são armas da polícia contra os traficantes
Os cães farejadores de drogas, treinados pela polícia norte-americana em todos os Estados, são armas eficientes no combate ao narcotráfico.
Eu pude ver de perto a ação do cão da raça labrador, Ebony, no campus da UCLA (Universirty California Los Angeles) em Santa Barbara, na Califórnia.
Ele integrava, naquele mês de junho de 1994, a equipe de policiais de Santa Barbara e, também, o D.A.R.E. (Drug Abuse Resistance Education ou Educação Para Resistência ao Abuso de Drogas, que no Brasil tem o seu similar, chamado PROERD, Programa de Resistência às Drogas e à Violência).
O PROERD seria instalado em 1999 na fronteira do Brasil com a Bolívia - onde iniciei, em 10 de abril de 1994, uma série de reportagens denunciando o narcotráfico -, depois que fiz, como vereador eleito para a laegislatura 1997-2000, um requerimento mostrando as ações do D.A.R.E. nos Estados Unidos, que foi aprovado por unanimidade e pedindo o programa para o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Escreverei sobre esse trabalho que fiz, como vereador, aqui nesta página.
Fotos de Armando Anache
Na biblioteca da UCLA, em Santa Barbara, alunos
do equivalente ao ensino fundamental no Brasil
assistem a demonstração feita pelo policial, com o
cão farejador de drogas Ebony
O policial de Santa Barbara e treinador de Ebony tinha, em suas mãos, uma porção de maconha e outra de ópio.
Ele escondeu, depois do cão ser retirado da biblioteca, as drogas em dois lugares diferentes, entre os livros nas estantes da UCLA. Em seguida, deu voz de comando ao cão labrador que, imediatamente, passou a farejar todo o ambiente. Ebony foi certeiro e localizou os dois pacotinhos com maconha e ópio, escondidos pelo policial.
A demonstração tinha como objetivo, naquele ano de 1994 - e hoje o procedimento é o mesmo -, mostrar às crianças como a polícia age no combate às drogas. Ao mesmo tempo, procura-se incutir nelas a confiança em relação aos policiais que integram o programa D.A.R.E.
Os policiais distribuiram, depois das palestras sobre prevenção ao uso e abuso de drogas, cartões de visita do cão labrador Ebony, com recomendações sobre a forma de dizer "não às drogas, ou 'just say no', em inglês".
No verso do cartão - veja acima - está a dica de segurança número 20: "Crianças também têm direitos. Você tem o direito de ser protegida do mal, do dano, da injustiça e do perigo. Você tem o direito de dizer NÃO quando solicitado para fazer algo que sabe ser errado. DARE para levantar-se pelos seus DIREITOS."
Todos os policiais do D.A.R.E. deixam os seus cartões com as crianças que recebem as instruções. Neles, elas têm os telefones para pedir auxílio em caso de perigo ou situações de risco de consumo de drogas oferecidas por amigos ou estranhos.
Escreverei mais detalhes sobre os policiais instrutores do D.A.R.E. quando mostrar, nesta página, o trabalho que acompanhei em escolas de Baltimore, cidade portuária na costa leste, próxima a Washington, no Distrito de Colúmbia.
A demonstração do cão farejador Ebony - na UCLA em Santa Barbara - foi assistida por mim e por outros colegas jornalistas de vários países, que participavam do "Fifteenth News and Current Affairs Workshop on Drugs", promovido pelo Departamento de Estado norte-americano e USIS (United States Information Agency)
Santa Barbara, Califórnia: Ação contra o narcotráfico nas ruas
Na cidade de Santa Barbara, na Califórnia, acompanhei, junto com o colega jornalista do Clarín, da Argentina, Enrique Sdrech - que também participava do 'workshop' sobre drogas nos Estados Unidos - uma operação policial contra o narcotráfico.
Foi no início da tarde de 13 de junho de 1994, depois da palestra com o "Czar das Drogas" do governo Clinton, Lee Brown, no programa "Fighting Back" (Leia a reportagem completa, com fotos, aqui embaixo).
Antes de deixar a delegacia, ao lado do policial, assinei um documento, assumindo todos os riscos pelo que pudesse vir a acontecer nas ruas. Inclusive acidentes com o veículo e, ainda, a possibilidade de algum enfrentamento a bala com traficantes.
O veículo da marca Ford, modelo Taurus, novo e limpo, foi abastecido ao lado da delegacia, numa bomba de gasolina pertencente à polícia.
Ele tem apenas dois lugares, na frente. O banco de trás - diferente de um carro normal, pois não tem estofamento - é usado como cela, para levar os detidos. Tem grades que separam o policial que dirige o veículo.
Em seguida, saímos pelas ruas da periferia de Santa Barbara, onde existem muitos estrangeiros, principalmente hispanos.
Mirante da cidade de Santa Barbara, na Califórnia, com a praia e o oceano pacífico ao fundo
Com o rádio transceptor em VHF ligado e o computador de bordo recebendo dados da central de polícia, fomos chamados para atender uma ocorrência de um suposto arrombamento que estaria acontecendo numa casa, naquele momento - início da tarde.
A adrenalina sobe muito. A descrição do suspeito chega pelo rádio VHF. O policial informa que não estamos distantes do local.
Ao chegarmos na rua indicada, começamos a olhar atentamente para todos os lados. Alguns moradores são chamados. Confirmam que viram um homem suspeito e que se encaixava na descrição passada pela delegacia.
Continuamos fazendo rondas pelas ruas próximas. Nada é encontrado. Não foi dessa vez.
Estou, claro, desarmado. Sou apenas um jornalista brasileiro acompanhando uma operação policial, por minha conta e risco. O policial, que naquele ano de 1994 recebia U$3.500,00 como salário inicial, portava uma pistola calibre nove milímetros. No meio do bando da frente do Ford Taurus, há uma escopeta calibre 12, fixada à lataria por uma corrente com cadeado, cuja chave fica no bolso do policial.
Seguimos para um mini-shopping próximo do bairro onde estávamos. No caminho, o policial vê um carro suspeito e, pelo rádio, pede mais informações sobre a placa. Elas chegam pela tela do computador de bordo, que fica bem na minha frente, à direita do policial que dirige o veículo.
Nada havia de errado com o carro suspeito. A documentação estava em ordem.
Dali, fomos para um bairro na periferia. Começava a escurecer. Novamente a sensação de perigo. Sou informado de que, naquela área, o consumo de drogas é intenso. O policial observa que, dentro de uma caminhonete, havia um homem sozinho. Ele para o Ford Taurus e, com a lanterna, ilumina o rosto do homem. Era um mexicano. estava bêbado, mas não criava problemas. Foi aconselhado, educadamente, a voltar para a sua casa, bem ao lado.
A diplomacia e a educação do jovem policial chamam a minha atenção. É tudo muito diferente daquilo que vemos nas telas dos cinemas no Brasil, nas produções de Hollywood.
Escurece e o policial faz uma abordagem de um veículo. Checa todos os documentos (veja a foto acima). Novamente nada há de errado. Seguimos em frente e pegamos o caminho de volta à delegacia.
Valeu a experiência. Graças a Deus nenhum confronto foi registrado. Tudo tranqüilo. "Nenhuma alteração", como se fala na polícia.
Santa Barbara, Califórnia: Programa "Fighting Back"
Em junho de 1994, participei - convidado pelo consulado americano em São Paulo - do "Fifteenth News and Current Affairs Workshopo on Drugas", promovido pela USIS (Unidet States Information Agency), do Departamento de Estado dos estados Unidos da América.
Em Washington, DC, Baltimore, Santa Barbara e São Francisco, pude ver e acompanhar de perto ações desenvolvidas pelas comunidades locais e pelo Governo, no tocante ao combate ao narcotráfico e também no tratamento e prevenção ao uso e abuso de drogas.
Naquele ano, tive o primeiro contato com a internet. Foi durante visita que fiz à Rádio Voz da América (Voice of America www.voa.gov), quando fui recebido pelo diretor do escritório brasileiro, Neils Lindquist.
Em agosto de 1994, montaria a recepção da programação da Voz da América - emissora do Governo dos Estados Unidos da América - principalmente os noticiários via satélite, em português e espanhol, no Pantanal Sul. A antena parabólica - e todo equipamento de recepção - veio por malote diplomático e foi instalada na Rádio Clube de Corumbá. Dali, os noticiários eram enviados também para a Rádio Independente de Aquidauana, via LP (Linha de Programação). O programa da CPN (Central Pantaneira de Notícias) ligava toda a região do Pantanal.
Em Santa Barbara, cidade turística da Califórnia e banhada pelo oceano Pacífico, acompanhei, em 13 de junho de 1994, reuniões do programa "Fighting Back", ou "Defenda-se" ou "Bata de volta", em português.
Armando Anache
O "Czar das Drogas" do governo dos Estados Unidos da América, Lee Brown, durante palestra no "Fighting Back"
A expressão "Fighting Back" significa, para melhor entendimento pelos brasileiros, algo como "uma reação feita depois de receber um golpe", ou "depois que alguém golpeia você, recebe de volta outro golpe ou ataque". Mas, que fique bem claro: Nenhum golpe de artes marciais é usado no programa. Muito menos violência.
Desenvolvido desde 1990 pela comunidade da cidade, o programa é o resultado da união da comunidade contra as drogas. Ele reúne organizações comunitárias, do governo, empresas privadas, rádios, canais de TV, jornais etc., com o objetivo de reduzir o consumo de drogas.
Para os líderes do "Fighting back", "há um convencimento de que as drogas são um problema urbano, mas elas afetam também os subúrbios de Santa Bárbara e, por isso, as comunidades unidas podem ajudar na prevenção ao uso e abuso; para isso é preciso muita união."
Naquele dia 13 de junho de 1994, tomei conhecimento de que uma pesquisa feita na Califórnia mostrava que os estudantes dos 8.º e 9.º graus consumiam 30% a mais de drogas que em outras partes do país. A cocaína era consumida em dobro.
O programa "Fighting Back" faz um sistema de conscientação do público. "Somos uma cidade turística, e portanto há uma necessidade muito grande de manter tudo bonito por aqui", disse um dos integrantes da reunião.
Em Santa Bárbara, a mídia ajuda o programa "Fighting Back". As emissoras de rádio e TV [depois escreverei e publicarei fotos sobre o trabalho da Key TV, afiliada da rede ABC, em Santa Bárbara] levam ao ar programas de conscientização sobre a questão das drogas.
O "Fighting Back", ou "Defenda-se", representa, segundo os seus idealizadores e mantenedores, "um trabalho conjunto da comunidade, contra as drogas".
Lee Brown, diretor do escritório da política nacional antidrogas do Governo Clinton, no "Fighting Back": O narcotráfico coloca em perigo a segurança nacional
Durante sua palestra no programa "Fighting Back", assistida por integrantes da comunidade de Santa Bárbara e pelos jornalistas de vários países - eu era um deles -, o doutor Lee Brown informou que os Estados Unidos da América consomem um terço das drogas oriundas dos países produtores. Dessa quantidade, um terço se perde durante o trânsito das drogas.
Armando Anache
Diretor do escritório da política nacional antidrogas do governo Clinton, Lee Brown: O narcotráfico coloca em perigo a segurança nacional
Devido a essa grande quantia de drogas que entram no país, "pedimos mais dinheiro para investir em programas de educação dos jovens", explicou Lee Brown, que seria prefeito de Houston, no Texas, a partir de 1997.
Ele disse que já atuou como comissário de polícia em Nova York e, com a experiência acumulada, tem certeza de que "apenas prender [usuários e traficantes] não irá resolver o grave problema das drogas; tem que haver um trabalho conjunto, das autoridades e das comunidades."
Uma pessoa da comunidade de Santa Bárbara pergunta ao Doutor Brown: "Há jovens que preferem ganhar U$2.000,00 por semana, atuando no tráfico, do que trabalhar honestamente num Mc Donald's. Como enfrentar isso?"
O "Czar das Drogas" do Governo Clinton, Lee Brown, diz que "os valores são muito importantes numa campanha contra as drogas; temos que fazer um verdadeiro movimento comunitário, com o apoio, inclusive, de líderes religiosos."
Na reunião do programa "Fighting Back", em Santa Bárbara, tomei conhecimento das ações contra as drogas desenvolvidas pela comunidade
Para ele, "os valores familiares são fundamentais nas campanhas de prevenção ao uso e abuso de drogas."
Na sua palestra, Brown informa que o consumo de drogas causa um aumento nas despesas com atendimentos médicos e, por isso, trata-se de uma questão de sáude pública. "Nos Estados Unidos, 200 mil pessoas morrem por ano devido ao consumo de álcool e esse dado faz com que o presidente Clinton [presidente dos Estados Unidos da América naquele ano de 1994] tenha grande preocupação com a questão relacionada às drogas."
Ele explica que "é por isso que o Governo apóia programas que visam o tratamento e a reabilitação de drogados [ou dependentes químicos], para que possam voltar ao trabalho.
Num intervalo da palestra de Lee Brown, no programa "Fighting Back", converso com a colega jornalista da Key TV, afiliada da Rede ABC em Santa Bárbara
Brown revela que "hoje [junho de 1994], a máfia pode lavar dinheiro na Polônia, com a mesma facilidade que em outros países; temos a certeza de que nenhum país está imune ao problema causado pelas drogas; o narcotráfico coloca em perigo a segurança nacional."
Em seguida, ele pergunta à platéia que assiste a reunião do programa "Fighting Back": "Mas quem tem ameaçado a soberania nacional, feito atentados e matado policiais, candidatos à presidência e levado insegurança às ruas?"
A resposta é dada em seguida, com ênfase, pelo doutor Brown: "Os narcotraficantes!" [Nota do autor: Essa pergunta e a resposta têm tudo a ver com fatos recentes no Brasil, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro, não é mesmo, leitor? ]
Brown alerta que os países produtores de drogas ilícitas estão se transformando em grandes consumidores e garante que "não há soluções fáceis para este problema; por isso temos que fazer um trabalho comunitário, promover o desenvolvimento e aperfeiçoar o sistema jurídico, para que o povo confie nele."
Ele ressalta que "a prevenção é a melhor forma de lutar contra o crime e as drogas; digo isso com a experiência de 30 anos como policial."
Armando Anache
"Banner" colocado na sala onde foi realizada a reunião do "Fighting Back": "Quando você faz algo sobre o abuso de drogas, você faz algo sobre a violência; quando você faz algo sobre abuso de drogas, você faz algo sobre proteção à saúde, AIDS, moradores de rua sem-teto e sobre a economia"
Para Lee Brown, "as drogas não são más por serem ilegais, mas são ilegais porque são más." [grifo meu]
Ele lembra que os países que legalizaram o consumo de drogas não tiveram resultados positivos. "Quem iria consumir? Quem poderia comprar? Qaul o custo aceitável pelas vidas que seriam perdidas? O presidente Clinton e o povo americano não querem legalizar o consumo de drogas", pergunta e responde Brown.
Lee Brown informa que para cada dólar gasto em tratamento [de pessoas drogadas], recebemos de volta sete dólares economizados em outros setores.
O integrante do governo Clinton diz que "temos acordos com muitos governos, para extradição de narcotraficantes; gostaríamos que os países 'castigassem fortemente' os traficantes; não queremos nos meter nos outros países, mas creio que a Colômbia deveria punir os traficantes de acordo com os delitos que cometeram, sem penas pequenas para eles."
Ele anuncia que "o Governo dos estados Unidos da América vai congelar a ajuda que presta aos países que não abordem o problema do tráfico [de drogas], como a Nigéria, por exemplo.
(Postado em 6 Ago 2006, domingo)
Denúncias contra o narcotráfico: A imprensa noticia a campanha
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1991: Na BR-262, em Mato Grosso do Sul, no trecho entre Campo Grande e Corumbá, na fronteira com a Bolívia (424 quilômetros a oeste), os jornalistas do "Wall Street Journal", Thomas Kamm - veja reportagem acima); das Rádios Clube de Corumbá e Independente de Aquidauana, Armando Anache; e do "Le Monde", Hautin Guiraut Denis (veja reportagem abaixo).
Par HAUTIN GUIRAUT DENIS
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Extrait : A Corumba, petite ville du Mato-Grosso, tous les moyens sont bons pour enrayer le trafic de stupéfiants " Arrêtons ces chiensde trafiquants, courons-leur après et ne les lâchons pas. Un panier à salade est fait pour être rempli. " Chaque jour depuis un an et demi, Armando Amorim Anache, directeur de la Radio Club de Corumba, interpelle les forces de l'ordre et multiplie les dénonciations à l'antenne de sa station.

































